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Lentes de contacto na praia e na piscina: o que evitar
Nadar com lentes de contacto é um dos hábitos de verão com mais risco para os olhos. Explicamos porquê e o que fazer em alternativa, sem ter de abdicar de ver bem.

O verão traz uma pergunta que ouvimos quase todos os dias em loja: posso ir à água com as lentes postas? A resposta curta é não. A resposta longa vale a pena conhecer, porque explica o que está realmente em jogo.
Porque é que a água e as lentes não se dão
Uma lente de contacto assenta diretamente sobre a córnea e é feita de um material que absorve líquido. Quando entra em contacto com água, tudo o que essa água transporta fica retido entre a lente e o olho — e fica lá durante mais tempo do que ficaria se não houvesse lente nenhuma.
Isto aplica-se aos três cenários de verão:
- Piscina: o cloro irrita a superfície ocular e altera o filme lagrimal, deixando o olho mais seco e mais vulnerável. E o cloro não elimina tudo.
- Mar: água salgada, areia em suspensão e microrganismos naturais do meio.
- Rio, lago ou tanque: o cenário de maior risco, por ser água parada e não tratada.
O perigo que preocupa os profissionais chama-se queratite, uma infeção da córnea. É pouco frequente, mas quando acontece é séria e pode deixar sequelas na visão. A grande maioria dos casos associados a lentes de contacto tem origem em contacto com água.
O que fazer em alternativa
Nenhuma destas opções obriga a passar o verão a ver mal:
- Óculos de natação graduados. A solução mais simples e a que mais recomendamos a quem nada com regularidade. Existem em graduações padrão e também por medida.
- Óculos de natação normais por cima de nada, retirando as lentes antes de entrar. Vê-se pior fora de água, mas o olho fica protegido.
- Óculos de sol graduados para quem está na praia mas não entra na água — resolve a visão e a proteção ultravioleta ao mesmo tempo.
Se usa lentes diárias e a ida à água for inevitável, retire-as e deite-as fora imediatamente a seguir. Nunca as volte a colocar.
Outros cuidados que fazem diferença no verão
O calor traz um conjunto de fatores que, somados, deixam os olhos mais sensíveis do que no resto do ano:
- Ar condicionado no carro e em casa, que resseca o filme lagrimal.
- Vento e areia, que irritam mecanicamente a superfície do olho.
- Mais horas ao ar livre, com mais exposição ultravioleta.
- Protetor solar que escorre para os olhos, causando ardor.
Ter lágrimas artificiais na mala de praia resolve grande parte do desconforto. Lavar as mãos antes de mexer nas lentes — sempre, mas sobretudo com areia por perto — evita a maioria dos problemas.
Quando é que se deve procurar ajuda
Há sinais que não devem ficar à espera de passar sozinhos:
- Dor ocular que aumenta em vez de aliviar
- Vermelhidão intensa num só olho
- Sensibilidade à luz marcada
- Visão turva que não melhora depois de retirar a lente
- Secreções
Perante qualquer um destes, retire as lentes e procure avaliação. Na Medical Óptica avaliamos a superfície ocular e encaminhamos para oftalmologia sempre que a situação o justifica.
Antes das férias, uma revisão rápida da sua adaptação e do estado das lentes evita a maior parte destes sustos. É uma consulta curta e faz diferença.
Perguntas frequentes
Posso nadar com lentes de contacto?
Não é aconselhável, nem no mar nem na piscina. A água — mesmo a tratada — contém microrganismos que ficam retidos entre a lente e a córnea, e a lente funciona como uma esponja que prolonga esse contacto. O risco principal é uma infeção da córnea, que pode ser grave.
E se as lentes forem diárias descartáveis?
São a opção menos má, porque se deitam fora imediatamente a seguir, mas continuam a não ser seguras dentro de água. Se acontecer entrar na água com lentes diárias, retire-as e deite-as fora assim que sair, e humidifique os olhos com lágrima artificial.
O que faço se sentir o olho irritado depois de nadar?
Retire as lentes, não volte a usá-las nesse dia e não coce o olho. Se a vermelhidão, a dor ou a visão turva persistirem mais do que algumas horas, procure avaliação — dor intensa, sensibilidade à luz e perda de visão são sinais que exigem atenção rápida.


