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Dia Mundial da Visão: a maior parte da cegueira era evitável
A Organização Mundial da Saúde estima que a grande maioria dos casos de perda de visão podia ter sido evitada ou tratada. Explicamos porquê e o que isso significa na prática.

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Visão. A data serve para divulgar um número que, quando se ouve pela primeira vez, custa a aceitar: a Organização Mundial da Saúde estima que a grande maioria dos casos de perda de visão no mundo podia ter sido evitada ou tratada.
Não estamos a falar de doenças raras nem de tecnologia inacessível. Estamos a falar, em boa parte, de erros refrativos por corrigir e de cataratas por operar.
O que faz perder a visão em Portugal
Segundo a Direção-Geral da Saúde, as principais causas de cegueira irreversível entre nós são três:
- Degenerescência macular da idade, que afeta a visão central e é a principal causa de perda de visão grave depois dos 55 anos.
- Retinopatia diabética, complicação da diabetes que danifica os vasos da retina.
- Glaucoma, que lesa progressivamente o nervo ótico, quase sempre associado a pressão intraocular elevada.
As três partilham a mesma característica, e é ela que as torna perigosas.
O problema é não haver sintomas
Nenhuma destas doenças dói. Nenhuma delas embacia a visão logo no início.
O glaucoma começa pela visão periférica — e como o outro olho compensa o campo em falta, a pessoa não dá por nada durante anos. A retinopatia diabética pode ir progredindo com visão perfeitamente normal. A degenerescência macular instala-se devagar, e a distorção só se nota quando já é significativa.
Quando aparecem sintomas, o dano feito não se recupera. O tratamento, a partir daí, serve para travar — não para reverter.
É esta a razão pela qual se insiste tanto no exame de rotina. Não é excesso de zelo: é a única forma de apanhar estas doenças na fase em que ainda há muito a ganhar.
A parte mais fácil de resolver
Há ainda uma categoria de perda de visão que nem sequer é doença: erros refrativos não corrigidos. Miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.
À escala mundial, é a maior fatia — e a de resolução mais simples. Um par de óculos adequado devolve a visão de imediato.
Em Portugal, o acesso é bom, mas continua a haver quem ande anos com uma graduação desatualizada, com dores de cabeça e cansaço visual diários, sem associar uma coisa à outra.
O que fazer, na prática
- Fazer uma avaliação visual regular, mesmo sem queixas. De dois em dois anos até aos 40; a partir daí, anualmente.
- Ser mais rigoroso se tiver fatores de risco: histórico familiar de glaucoma, diabetes, miopia elevada, hipertensão, ou uso prolongado de corticoides.
- Se tem diabetes, fazer o exame da retina todos os anos, sem exceção e independentemente de ver bem.
- Proteger dos ultravioleta ao longo da vida, com óculos de sol certificados.
- Não fumar. O tabaco é fator de risco estabelecido para degenerescência macular.
- Controlar tensão arterial e glicemia, que afetam diretamente a circulação da retina.
O papel de uma ótica
Uma ótica não diagnostica nem trata doença ocular — isso é competência médica. O que fazemos é diferente e complementar: avaliamos a função visual, medimos a pressão intraocular, avaliamos o campo visual, acompanhamos a evolução ao longo do tempo e encaminhamos para oftalmologia sempre que encontramos algo que o justifique.
Na prática, somos muitas vezes o primeiro sítio onde alguém repara que há qualquer coisa. E isso, nestas doenças, é o que faz toda a diferença.
Se já não faz uma avaliação visual há mais de dois anos, hoje é um bom dia para marcar.
Perguntas frequentes
Quando se assinala o Dia Mundial da Visão?
Na segunda quinta-feira de outubro, por iniciativa da Organização Mundial da Saúde. Em 2026 calha a 8 de outubro. O objetivo é chamar a atenção para a cegueira e a deficiência visual, e sobretudo para o facto de grande parte dos casos serem evitáveis.
Quais são as principais causas de perda de visão em Portugal?
Segundo a Direção-Geral da Saúde, as principais causas de cegueira e perda de visão irreversível em Portugal são a degenerescência macular da idade, a retinopatia diabética e o glaucoma. As três têm em comum evoluírem sem sintomas nas fases iniciais.
Se vejo bem, preciso mesmo de fazer exames?
Sim. As doenças que mais cegam não afetam a visão central no início — a pessoa continua a ler e a conduzir normalmente enquanto o dano progride. Quando a visão dá sinal, já houve perda que não se recupera. É por isso que o exame de rotina existe.


